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Banda de Pau e Corda

A Banda de Pau e Corda cria canção brasileira a partir das culturas populares de Pernambuco, reunindo poesia, arranjos vocais e o diálogo entre flauta, viola, violão, baixo e bateria. Fundado no Recife em dezembro de 1972, o grupo desenvolveu uma linguagem que aproxima referências rurais e a experiência urbana. Canções como Esperança, Caminhada, Flor d’Água e Vivência integram um repertório que segue sendo ampliado por novas gravações e encontros com artistas de diferentes gerações.

A Banda estreou no bar Olho Nu, frequentado por universitários, em um ambiente de intercâmbio entre música, literatura, teatro e artes visuais. O nome foi sugerido por Toinho Alves, do Quinteto Violado. Em 1973, lançou pela RCA Victor o álbum Vivência, com contracapa assinada por Gilberto Freyre. Nos anos seguintes, espetáculos como Vivência, Redenção e Alegoria levaram o grupo a palcos do Nordeste, do Rio de Janeiro, onde cumpriu temporada no Museu de Arte Moderna, e de São Paulo. Textos de João Cabral de Melo Neto, Carlos Pena Filho e Zé Limeira passaram a integrar suas apresentações.

Na década de 1970, a Banda participou do movimento de renovação da música popular brasileira produzido no Recife. Em 1976, integrou o espetáculo Palavrão, com Rolando Boldrin e Antônio Abujamra, e participou da criação do Carnaval de Boa Viagem. Álbuns como Arruar (1978) e Frevo – Pelas Ruas do Recife (1979) ampliaram suas relações artísticas, com colaboradores como Toninho Horta, Tavinho Moura, Banda de Pífanos de Caruaru e Elifas Andreato. O grupo também ganhou projeção nacional em Ponto de Encontro, da TV Cultura, e no festival MPB Shell.

Nos anos 1980 e 1990, lançou discos como Coisa da Gente, O Outro Lado da Banda e Cristalina (1992). Sua presença no Carnaval consolidou a relação com o frevo. Nas décadas seguintes, manteve a atividade em shows e projetos especiais, representou o Brasil em missão cultural na Argélia, em 2006, e participou do Festival da Lusofonia, em Macau, China, em 2008. No país, integrou projetos como Violando Fronteiras, Vox Brasilis, no CCBB Brasília, e a Virada Cultural de São Paulo.

As mortes dos fundadores Roberto Andrade e Paulinho Rezende, em 2017, marcaram uma mudança na trajetória do grupo. A partir de 2018, a Banda iniciou um novo ciclo de gravações e apresentações. Registrado em Belo Horizonte, 45 Anos ao Vivo foi lançado pela Kuarup em 2019. Em 2021, a Biscoito Fino lançou Missão do Cantador, seu primeiro álbum de inéditas desde Cristalina, e Na Estrada – Ao Vivo, em parceria com o Quinteto Violado. Este último recebeu indicação ao Latin Grammy em 2022, na categoria Melhor Álbum de Música de Raízes em Língua Portuguesa.

Entre a Flor e a Cruz (2023) reuniu Lenine, Fagner, Marcos Valle, Padre Fábio de Melo e Juliana Linhares, colocando canções de diferentes períodos da Banda em diálogo com novas interpretações e repertórios. Nos anos seguintes, os encontros com Spok, Roça Nova, Arthus Fochi, Mestre Gennaro e Xangai ampliaram essa rede. A produção recente inclui Na Asa do Vento, Frevo do Hospício, Sonhos de uma Noite de São João e Piuí.

A Banda mantém uma agenda em teatros, festivais e espaços culturais de diferentes regiões do Brasil, com apresentações em circuitos como Sesc São Paulo, Espaço Cultural BNDES e CAIXA Cultural. Em 2026, duas apresentações no Teatro do Sesc Bom Retiro, em São Paulo, com participação de Xangai, tiveram ingressos esgotados.

Sua formação atual reúne Sérgio Andrade, Júlio Rangel, Sérgio Eduardo, Yko Brasil, Zé Freire e Alexandre Baros. Nos arranjos e na construção coletiva das vozes, o grupo desenvolve novas leituras de seu repertório, interpreta outros compositores e apresenta novas canções. A origem pernambucana orienta um trabalho que segue em criação e em contato com diferentes públicos da música brasileira.

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