
Spok / SpokFrevo Orquestra
Spok, também conhecido como Maestro Spok, é cantor, saxofonista, compositor, arranjador e diretor musical pernambucano. Sua obra parte do frevo, música do Carnaval de Pernambuco reconhecida pela UNESCO como Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade, e dialoga com o jazz, a canção e as tradições afro-brasileiras. Nascido em Igarassu e criado em Abreu e Lima, construiu sua carreira no Recife, tocando frevo nas ruas, nos clubes e nos palcos da cidade. Essa experiência moldou sua linguagem de arranjo, improvisação e criação coletiva.
Começou a estudar música aos 13 anos, em Abreu e Lima, e em 1986 mudou-se para o Recife, onde estudou no Centro de Criatividade Musical e trabalhou com mestres do gênero como José Menezes, Guedes Peixoto, Clóvis Pereira, Duda e Edson Rodrigues. Acompanhou artistas como Alceu Valença, Elba Ramalho, Fagner e Antonio Nóbrega, experiência que ampliou seu repertório de referências como instrumentista e arranjador.
Esse percurso ganhou forma coletiva na SpokFrevo Orquestra, fundada no Recife em janeiro de 2001 por Spok e pelo saxofonista Gilberto Pontes, a partir de experiências iniciadas na década de 1990. À frente da big band, Spok abriu a escrita orquestral do frevo para solos e improvisação. Com 17 músicos em sua formação atual, a Orquestra alterna composições autorais e clássicos do gênero, preservando a pulsação do frevo e a liberdade de interpretação de cada instrumentista.
A discografia da Orquestra inclui Passo de Anjo (2004, relançado pela Biscoito Fino em 2006), Passo de Anjo – Ao Vivo (CD/DVD gravado no Teatro de Santa Isabel, no Recife), Ninho de Vespa (2013; lançado nos Estados Unidos pelo selo Motéma em 2014) e Frevo Sanfonado (2015). O grupo levou o frevo a festivais e salas de concerto como Montreux Jazz Festival, Jazz in Marciac, Ronnie Scott’s, Roskilde, Appel Room do Jazz at Lincoln Center e Palácio do Eliseu (Fête de la Musique, 2008), e foi showcase oficial da WOMEX 2009, em Copenhague.
No Brasil, conquistou o Prêmio TIM de Música (revelação, 2006) e o Prêmio da Música Brasileira (2009 e 2014). Spok esteve à frente do projeto Do Frevo ao Jazz, que trouxe ao Recife o trompetista norte-americano Wynton Marsalis e a Jazz at Lincoln Center Orchestra (2015), e divide palcos com artistas de diferentes gerações, como Lenine.
No Spok Quinteto, essa linguagem ganha uma formação de cinco músicos, com saxofone, guitarras, violas, baixo e bateria. O repertório predominantemente instrumental reúne composições autorais e clássicos do frevo, incluindo suas modalidades de rua, de bloco e canção, e se abre ao baião e ao maracatu. Os arranjos de inspiração jazzística valorizam a interação e a improvisação. Spok também realizou concertos com formações sinfônicas, como a Jazz Sinfônica no Theatro Municipal de São Paulo, e gravou Face Quarteto e Spok (2025), em parceria com o grupo de Brasília, aproximando frevo e choro. Criou o Instituto Passo de Anjo, organização sem fins lucrativos em Abreu e Lima que oferece oficinas de música, dança e artes cênicas a crianças e adolescentes.
Em Raízes (2026), seu primeiro álbum solo, Spok amplia sua atuação como cantor e divide a produção musical com Miguel Mendes. O disco nasce de uma pesquisa sobre memória familiar e da conexão com o povo Tikar, de Camarões, identificada pelo artista a partir de um exame de DNA voltado à linhagem materna. Essa descoberta orienta uma investigação sobre ancestralidade africana, orixás e tradições afro-brasileiras. A poesia popular nordestina, o aboio e o maracatu encontram tambores, violas e guitarras de sonoridade rock, com referências ao manguebeat e ao rap.
Lenine, Chico César, Zeca Baleiro, Maciel Melo, Ylana, Grupo Bongar e Thulio Xambá participam do disco. Na apresentação ao vivo, voz e saxofones se somam a percussões, bateria, guitarra, viola, baixo e sintetizador. SpokFrevo Orquestra, Spok Quinteto e Raízes são seus três projetos atuais, reunindo diferentes abordagens da música criada a partir de Pernambuco.
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